Google Ads · Outubro 2026

O QUE O GOOGLE
VAI LIBERAR
E QUEM VAI
SAIR NA FRENTE

Annie Ramos 10 min de leitura 06/10/2026
Três notícias do Google das últimas semanas tocam direto quem roda afiliado de nutracêutico nos Estados Unidos: a política de nome da empresa agora cita afiliado com todas as letras, o Google anunciou um relatório do AI Max que vai ligar o termo de pesquisa ao recurso que a pessoa viu e à página onde ela caiu, e a Demand Gen tem uma trava de saúde que todo mundo precisa ler antes de testar. Aqui vai o que cada uma diz, o que muda na sua conta, por que a ferramenta nova só vai acelerar quem já faz o trabalho na mão, e ideias de teste pra quem quiser ir pra Demand Gen.

Antes: como ler este artigo

Tudo que é regra do Google vem com o selo Oficial, o link da página do Google e a data. O que veio de site de notícia ou de relato de anunciante vem com Relato e não é tratado como fato. O que nem o próprio Google deixou claro vem com Em aberto.

Por que esse cuidado? Porque afiliado perde dinheiro agindo em cima de print de grupo. Regra de política se lê na fonte, em inglês, e com data.

1. Nome da empresa: o Google escreveu "afiliado"

Oficial Em 01/10/2026 o Google publicou a página "Update to Editorial Policy (October 2026)". A mudança abre uma exceção: o nome da empresa no anúncio pode ser diferente do domínio, desde que seja a marca reconhecida do anunciante, haja relação direta verificada com o dono do domínio e o produto seja vendido naquele domínio. Logo em seguida vem a frase que interessa pra gente:

"Third-party resellers, independent booking intermediaries, affiliate distributors, and secondary sellers do not qualify for this provision and are prohibited from using the standalone brand name of the goods, services, or properties they offer as their business name." Revendedores terceiros, intermediários independentes de reserva, distribuidores afiliados e vendedores secundários não se enquadram nesta exceção e estão proibidos de usar o nome de marca do produto, serviço ou propriedade que oferecem como nome da empresa. Fonte: support.google.com/adspolicy/answer/18287059 · publicada em 01/10/2026 · vigência: outubro de 2026

Relato O site Search Engine Roundtable noticiou em 02/10 que a mudança entra em 16/10. Essa data não está na página do Google; trate como relato.

O que muda na prática

Pra afiliado, a regra não apertou. Afiliado nunca pôde se apresentar com o nome do suplemento. O que mudou é que agora está escrito, com a palavra affiliate, e reprovação que tem texto explícito por trás é mais fácil de aplicar e mais difícil de contestar.

Então a regra na sua conta é simples: o nome da empresa que aparece no anúncio é o nome da sua empresa, a mesma que está na verificação. Nunca o nome do produto, nunca uma variação dele.

Por que a gente já estava aqui: no topo de funil a gente nunca se apresentou como o produto. Na imersão de janeiro de 2026 eu ensinava que no topo a gente não escolhe produto, porque a gente não vende produto: a gente vende uma solução pra dor da pessoa, e o produto é o que o produtor que paga melhor CPA entrega. No método, isso está escrito desde agosto: a página de topo não vende produto, vende o clique pra VSL. E na verificação, tudo que o Google confere sai dos dados da sua própria empresa. A frase nova da política descreve o que a gente já fazia.

2. O relatório do AI Max: o Google vai dizer "esse termo veio desse recurso"

Oficial Em 23/09/2026 o Google anunciou no blog oficial um relatório que vai mostrar "uma visão única e unificada da jornada do anúncio de pesquisa": qual termo de pesquisa disparou o anúncio, qual recurso (título, descrição) a pessoa viu e em que página ela caiu. Sobre quando chega, o texto diz só: "We'll share additional details and availability later this year" (mais detalhes e disponibilidade mais para o fim do ano).

Fonte: blog.google/products/ads-commerce/ai-max-language-reporting-features · 23/09/2026. Ainda não está nas contas.

O que a gente não sabe hoje

Sejamos honestos: hoje ninguém sabe qual termo veio de qual recurso. Nem eu, nem você, nem quem diz que sabe. O Google mostra os termos numa aba, os recursos em outra e as páginas em outra, e não liga uma coisa à outra. Com o AI Max ligado fica ainda mais difícil, porque o Google reescreve título com base na sua página e pode mandar o lead pra outra URL do seu domínio (a expansão de URL final).

O que a gente faz hoje é uma aproximação na mão: lê o termo, o título e a página lado a lado e deduz se contam a mesma história. Dedução, não certeza. O que o Google vai liberar é a ligação direta: este termo, este recurso, esta página.

Quem vai sair na frente

Essa ferramenta vai facilitar demais a vida. Mas só de quem já faz esse cruzamento na mão. Quem não entende por que cruzar termo com recurso e com página não vai ver diferença nenhuma, porque não sabe o que perguntar ao relatório. Vai abrir a tela nova, achar bonito e voltar a olhar só o CPA.

Eu já vi isso acontecer. Por muito tempo eu pedi termo de pesquisa dentro das ferramentas de traqueamento, e nada. Até que o Vitor Freire, da BlackInk, trouxe isso pro mercado, e facilitou demais a vida de quem roda topo de funil. Quem já lia termo na mão sabia exatamente o que fazer com aquilo no dia em que chegou. Agora é a mesma coisa: a ferramenta chega e quem já fazia o trabalho na mão dispara na frente.

A pergunta certa pra levar ao relatório vem do método. É a Sinergia do CHESS: anúncio, página e VSL com a mesma dor e o mesmo ângulo. Em janeiro de 2026 eu já ensinava que a IA lê a sua página inteira, que o sentido do que está escrito no anúncio tem que estar na página logo de cara, e que a gente libera a expansão de URL pra IA escolher a página com mais coerência pro lead. É por isso que vale treinar a aproximação agora.

Como treinar a aproximação hoje

  1. Pegue os termos de pesquisa da campanha e separe pelos quatro clusters: DOR, MEDO, SOLUÇÃO, CURIOSIDADE. Olhe ROAS, CTR e cliques. Não conte venda por termo: a aba de termos subreporta venda, e a venda real se lê na aba de palavras-chave.
  2. Abra a aba de recursos e veja quais títulos estão sendo mostrados. Título maior que 30 caracteres não foi você que escreveu: foi a IA Max, que gera texto a partir do seu anúncio e da sua página.
  3. Abra a página de destino (e, com expansão de URL ligada, as páginas que o Google escolheu). Leia o texto visível inteiro, não só o H1.
  4. Escreva a sua hipótese: "acho que o termo X está chegando pelo título Y e caindo na dobra Z". Escreva mesmo, com data. Quando o relatório chegar, você confere quantas hipóteses acertou. É assim que você aprende a ler a ferramenta antes de ela existir.

Quando o relatório chegar: ele vai trocar dedução por dado. Mas mostrar a ligação é uma coisa; saber se o termo é do cluster certo e se a primeira dobra responde o que o lead buscou continua sendo trabalho seu.

3. Demand Gen e saúde: a trava que pouca gente leu

Demand Gen é a campanha do Google que roda em YouTube (incluindo Shorts), Discover, Gmail e rede de Display. Muita gente pensa em testar pra sair da dependência da Pesquisa. Antes de gastar um real, leia o que o Google diz sobre saúde.

Saúde é categoria sensível

Oficial Na política de publicidade personalizada, a categoria Saúde inclui:

"Physical or mental health conditions, including diseases, sexual health, and chronic health conditions" · "Products, services, or procedures to treat or manage chronic health conditions" Condições de saúde física ou mental, incluindo doenças, saúde sexual e condições crônicas · Produtos, serviços ou procedimentos para tratar ou controlar condições crônicas. Exemplo citado pelo próprio Google: tratamentos para condições crônicas como diabetes ou artrite. Fonte: support.google.com/adspolicy/answer/16701855 · conferida em 06/10/2026

Na mesma página, o que fica proibido em categoria sensível: públicos montados pelo anunciante, Customer Match (sua lista de clientes), seus segmentos de dados (remarketing), expansão de público e segmentos semelhantes (lookalike). O que fica permitido: públicos predefinidos do Google (no mercado, afinidade), demografia com exceções, eventos de vida, local e segmentos personalizados, estes com limitação.

O que isso faz com a Demand Gen

Oficial A política geral diz, com essas palavras: "Discovery and Demand Gen campaigns use advertiser-curated audiences by default and may be restricted from serving if targeting products and services that fall within sensitive interest categories." Ou seja, a Demand Gen usa por padrão públicos montados pelo anunciante e pode ter a entrega restringida quando o produto cai em categoria sensível. Fonte: support.google.com/adspolicy/answer/143465.

Oficial E a ajuda da própria Demand Gen fecha o quadro: anúncio de categoria sensível fica "generally restricted to YouTube inventory", sem Gmail e sem rede de Display, e precisa segmentar só públicos predefinidos do Google, como afinidade e no mercado. Fonte: support.google.com/google-ads/answer/13695777.

Na Demand Gen de saúdeSituação
Lookalike de quem comprouProibido
Remarketing de quem visitou a páginaProibido
Sua lista de clientes (Customer Match)Proibido
Expansão de públicoProibido
Gmail e rede de DisplayFora, em regra
YouTube e Shorts com público predefinido do GoogleÉ o que sobra
Segmento personalizado por termo de pesquisaEm aberto

O ponto em aberto

Em aberto A ideia mais interessante seria pegar as palavras que vendem na Pesquisa e transformar em segmento personalizado na Demand Gen. Só que duas páginas oficiais não fecham entre si. A página de Saúde lista segmento personalizado como permitido, com limitação. A política geral diz: "Custom Segment audiences using sensitive creative assets or pointing to sensitive landing pages will only serve with Display campaigns to non-sensitive audiences or contextually" (segmento personalizado com criativo ou página sensível só roda em Display, pra público não sensível ou por contexto). Como a Demand Gen de saúde não roda em Display, a leitura mais provável é que esse caminho não sirva pra nutra. Mas o Google não disse isso com todas as letras. Até dizer, ninguém aqui afirma nem que serve nem que não serve.

Outro ponto sem resposta oficial: quais nichos caem em "condição crônica". Diabetes está no exemplo do Google e saúde sexual está no texto. Os outros nichos (peso, zumbido, memória, fungo de unha, próstata) não têm confirmação. Na dúvida, trate como sensível.

Pra quem quiser testar: ideias, sem segurar nada

Não é hora de segurar ideia. A trava é forte, mas ela não fecha a porta: ela diz por onde dá pra entrar. Se você quer testar Demand Gen, aqui vai como eu montaria o teste dentro do que a política permite. É proposta, não promessa. Resultados variam.

  1. Escolha do nicho: comece pelo que talvez não seja "condição crônica". Diabetes e saúde sexual estão no texto do Google; esses entram como sensíveis. Emagrecimento, zumbido, memória e fungo de unha não aparecem no exemplo oficial. Isso precisa ser confirmado: se a sua campanha subir com restrição de público ou de entrega, o Google tratou o nicho como sensível e você já tem a resposta. Por quê: é onde existe chance de ter mais opção de público e de canal.
  2. Canal: só YouTube Shorts. Oficial A Demand Gen deixa escolher o canal, e o próprio Google dá o exemplo: com vídeo vertical, dá pra servir só no YouTube Shorts (fonte). Por quê: é onde anúncio de saúde roda mesmo, e isola o teste num lugar só, então você sabe de onde veio o resultado.
  3. Público: predefinido do Google. Público no mercado e de afinidade ligados ao nicho, e demografia do avatar (americano de 55 a 70 anos), se o Google permitir na categoria. Nada de lista de cliente, remarketing ou semelhante, que estão proibidos. Por quê: é o tipo de público que a política deixa em saúde, então é com ele que você testa.
  4. Criativo: vídeo curto que você já tem. Reels que já prenderam atenção ou o gancho dos primeiros segundos da VSL, recortado em vertical. Três criativos, cada um num cluster: DOR, MEDO, CURIOSIDADE. Dentro da política de saúde e sem rosto de pessoa pública. Por quê: no YouTube a pessoa não buscou nada; quem para o dedo é o gancho, e cada cluster te mostra qual dor faz esse público parar.
  5. Destino: a bridge page, nunca a VSL direto. A primeira dobra tem que continuar a frase do vídeo. Por quê: a página é o sinal que a IA lê, e o lead que veio do Shorts está mais frio que o da Pesquisa; ele precisa da ponte.
  6. Lance e verba. Oficial A Demand Gen aceita lance por clique, conversão ou valor de conversão; com CPA alvo, o Google recomenda orçamento de pelo menos 10 vezes o CPA alvo (fonte). Se o seu caixa não aguenta isso, comece em maximizar conversões e não em CPA alvo apertado. Por quê: orçamento curto com CPA alto trava a IA, e aí você mede a trava, não a campanha. E a conversão tem que estar configurada antes de a campanha subir.
  7. Prazo e o número que decide. 72 horas sem mexer. Quem decide é a venda. Passagem (clique na página que vira play na VSL) e retenção explicam o porquê. CTR é só informação, nunca veredito. Por quê: 72 horas é o tempo que a IA precisa pra entender o seu jogo; mexer antes disso te impede de saber o que funcionou.

A ordem não muda: desde a imersão de janeiro de 2026 eu ensino primeiro Pesquisa com IA Max, entender intencionalidade, e depois as campanhas que espalham o anúncio por várias redes, porque elas pedem mais caixa. Quem já roda Pesquisa com passagem saudável tem o que levar pra Demand Gen: o cluster que funciona, o gancho e a página. Quem ainda não tem isso vai testar no escuro.

4. Um item menor: promoções automáticas

Oficial O Google tem um recurso que lê ofertas e descontos do seu site e mostra como promoção no anúncio, sem você criar. Pela página de ajuda, ele roda em campanhas de Pesquisa e Performance Max que usam recurso de local. Fonte: support.google.com/google-ads/answer/7175034 (a página não traz data).

Relato Search Engine Roundtable (05/10) e PPC Land (06/10) noticiaram, a partir de e-mail enviado a anunciantes, início em 12/10/2026.

Pra quem roda topo de funil sem recurso de local, não muda nada. Se você usa recurso de local, confira os recursos automatizados no nível da conta: anúncio de topo não fala de preço nem de desconto, e você não quer o Google colando "oferta" num anúncio que existe pra levar o lead a ler.

O que fazer na sua conta esta semana

  1. Nome da empresa: abra cada conta ativa e as que vão subir. O nome da empresa no anúncio é o da sua empresa. Se tiver nome de produto em qualquer lugar ali, troque antes que o Google aplique a regra nova.
  2. Aproximação termo, recurso e página: faça os quatro passos acima numa campanha sua e escreva três hipóteses com data. Elas vão ser conferidas quando o relatório chegar.
  3. Demand Gen: se for testar, monte pelo roteiro acima e traga pro grupo antes de subir: nicho, canal, público, os três criativos e a página.

Pra postar no grupo: o print do nome da empresa de uma conta sua (sem dado sensível) e as suas três hipóteses de termo, recurso e página. A gente discute na análise de quarta.

O Google vai continuar mudando. A diferença entre quem se assusta e quem não se assusta com cada notícia é ter método por baixo: quem já faz na mão o trabalho que a ferramenta vai automatizar é quem dispara quando ela chega.

Quer ler a sua campanha com a gente?

Na Mentoria ProStart a gente cruza termo, anúncio e página toda semana, ao vivo, na campanha de quem está na turma.

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Resultados variam. Este artigo explica políticas e recursos do Google Ads com base nas páginas oficiais citadas, conferidas em 06/10/2026. Políticas mudam: antes de agir, confira a página na fonte.